Gisnei

Gisnei

Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou na tarde desta quinta-feira (26), por meio nota oficial no site da entidade, que não realizará a edição de 2021 da Copa São Paulo de Futebol Júnior. "A partir de todas as informações colhidas e diante do cenário de pandemia, concluímos que mesmo um rigoroso protocolo de saúde não seria o suficiente para garantir segurança a atletas, árbitros e demais profissionais envolvidos nos jogos, além da população das cidades-sede. E acima de qualquer compromisso está a vida", diz um trecho do documento. Na nota assinada pelo presidente Reinaldo Carneiro Bastos, a entidade informou que a decisão foi tomada depois de vários conversas com autoridades médicas do governo de estadual, prefeituras e clubes participantes.

A FPF também teve o cuidado de preservar os sonhos da geração que não poderá disputar a Copinha em 2021. A forma encontrada foi permitir que, na próxima edição da competição, os atletas nascidos em 2001 pudessem disputar o torneio.

Edição: Valéria Aguiar

Os estados e os municípios poderão contrair mais R$ 2 bilhões em empréstimos no sistema financeiro. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje (26) a elevação do limite de crédito dos governos locais para 2020.

Com a decisão, o limite global de contratação de operações de crédito pelos governos locais passou de R$ 18 bilhões para R$ 20 bilhões. Desse total, o teto das operações com garantia da União, quando o Tesouro Nacional cobre eventuais inadimplências, passou de R$ 7,5 bilhões para R$ 9 bilhões.

O limite das operações sem garantia do governo federal subiu de R$ 10,5 bilhões para R$ 11 bilhões. A União tem um limite de contratação de crédito de R$ 400 milhões, que não foi alterado nessa reunião. Dessa forma, o teto total de operações de crédito pelos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – subiu de R$ 18,4 bilhões para R$ 20,4 bilhões.

Essa foi a terceira ampliação do limite de contratação de crédito pelos estados e pelos municípios neste ano. O teto foi alterado em junho  e em agosto deste ano.

A medida não tem impacto fiscal para a União, porque as mudanças valem para os entes públicos locais. Em nota, o Ministério da Economia informou que o novo limite foi ampliado por causa de vários eventos que alteraram as metas fiscais para este ano e as estimativas mensais de resultado nas contas públicas feitas pelo Tesouro Nacional.

Pandemia

No início do ano, o governo tinha decidido zerar a meta fiscal  para os governos locais. Por causa do estado de calamidade pública aprovado no início da pandemia do novo coronavírus, o governo federal está dispensado de cumprir meta de primário em 2020, que teria déficit de R$ 124,1 bilhões. O resultado primário representa o déficit ou o superávit nas contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.

Todo ano, o CMN fixa valores máximos que a União, os estados e os municípios podem pegar emprestado no sistema financeiro. A utilização desse limite poderá ser acompanhada pelas instituições que integram o sistema financeiro e pela sociedade, por meio do site do Banco Central .

Edição: Fábio Massalli

O retorno da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito renderá cerca de R$ 2 bilhões em um mês, disse hoje (26) o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal. A alíquota zero, que acabaria no fim de dezembro, acabou ontem (25) por meio de uma medida provisória editada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Com a MP, quem pegou dinheiro emprestado numa operação de crédito voltará a pagar 3% ao ano (empresas) e 6% ao ano (pessoas físicas) sobre o valor contratado, mais uma alíquota fixa de 0,38% por operação. Zerada para baratear a concessão de crédito durante a pandemia do novo coronavírus, a cobrança de IOF foi retomada para custear a isenção da tarifa de energia aos consumidores atingidos pelo apagão de três semanas no Amapá.

Segundo Funchal, a antecipação da medida em um mês não estava planejada e ocorreu por uma contingência, porque o IOF, por tratar-se de um imposto regulatório, tem efeito imediato sobre a arrecadação quando é reajustado. “É claro que o ideal é você ter algo planejado, mas teve uma eventualidade que foi a questão do Amapá e, para as ações de novas despesas poderem ser feitas, pela LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal] era necessária uma compensação", disse.

Também ontem, o governo editou medida provisória com crédito de R$ 80 milhões ao Ministério de Minas e Energia (MME). Funchal, no entanto, não explicou a divergência de valores entre os R$ 2 bilhões de arrecadação com o IOF e o valor repassado ao MME. Apenas disse que o governo agiu de forma conservadora, para evitar desrespeitar a LRF.

Inflação

Sobre o impacto da inflação sobre a gestão da dívida pública, Funchal disse que a recente alta no preço dos alimentos é transitória e não preocupa. “A gente tem confiança no time do Banco Central. Isso aí está bem controlado e claramente foi uma situação dessa inflação momentânea por conta de mudanças de padrão de consumo durante a pandemia”, declarou.

Segundo o relatório de dívida pública, divulgado ontem, cerca de 25% da Dívida Pública Federal é corrigida pela inflação. Essa é a proporção de títulos corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na dívida total.

Em relação aos elevados volumes de vencimentos da dívida pública em 2021, o secretário do Tesouro afirmou estar preparado. Ele reiterou que o órgão está recompondo o colchão da dívida pública, reserva financeira para pagar vencimentos caso as condições de mercado se agravem.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

A Polícia Rodoviária Federal apreendeu cerca de 450 litros de bebidas de origem estrangeira na tarde da última terça-feira (24), na BR 158 em Santana do Livramento.

Durante ações de combate ao crime, policiais rodoviários federais abordaram uma carreta de uma empresa de transportes de cargas, que deixava a fronteira pela BR 158. Ao vistoriarem as mercadorias, os policiais encontraram cerca de 450 litros de bebidas introduzidas ilegalmente no país.

Estima-se que o valor das bebidas, entre elas uísque, gim e vodca, seja de 50 mil reais. A mercadoria, o veículo e a documentação foram apreendidos e encaminhados à receita federal.

Fonte: PRF

A Polícia Rodoviária Federal apreendeu 320 mil reais sem comprovação de origem na tarde desta segunda-feira (23), na BR 158 em Santana do Livramento. A quantia era transportada em um carro que transitava em direção à fronteira com o Uruguai.

Durante uma operação com a participação do serviço de inteligência, policiais rodoviários federais abordaram um Chery Arrizo com placas de Porto Alegre que transitava pela BR 158. Ao vistoriarem o interior do carro, os agentes encontraram 320 mil reais em uma bolsa.

O condutor do automóvel, um jordaniano naturalizado brasileiro, de 50 anos, disse aos policiais que levaria o dinheiro para a fronteira, no entanto, não conseguiu comprovar a origem lícita da quantia.

Ele foi encaminhado com o veículo e o dinheiro à polícia judiciária em Santana do Livramento e será investigado por crime e financeiro.

Fonte:  PRF

O Ministério das Comunicações (Minicom) anunciou nesta terça-feira (24) o repasse de R$ 409 milhões para investimentos no desenvolvimento e ampliação de tecnologias de internet das coisas em sistemas agrícolas, de transporte, de saúde e de segurança, e em soluções para internet 5G. Os recursos são provenientes do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Comunicação (Funttel), que completa 20 anos esta semana. 

De acordo com o governo federal, os recursos vão financiar 17 projetos, em um prazo de 36 meses, a partir de operações de crédito viabilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Cada instituição receberá R$ 204,9 milhões. O limite de financiamento é de até R$ 30 milhões por entidade ou empresa beneficiária a cada 24 meses, mas esse valor poderá ser ampliado mediante autorização específica do conselho gestor do Funttel. 

"A gente elencou duas prioridades. A primeira é usar esses R$ 200 milhões para dar acesso a conexão de internet para cerca de 800 mil pessoas. E a segunda, usar esses recursos para toda a cadeia de telecomunicações e inovação", destacou o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, durante cerimônia que marcou a transferência dos recursos do Ministério das Comunicações para o banco. 

A expectativa do governo é que os projetos possam gerar até 41 mil novos empregos diretos e indiretos no país, além de aumentar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações.

Segundo o Minicom, o repasse deste ano é o maior montante anual já liberado pelo Funttel desde a sua criação, uma alta de 36% em relação a 2019, e quase quatro vezes superior à média anual de repasses feitos entre 2001 e 2018. O Funttel foi criado em 2000 com o objetivo de estimular projetos de inovação tecnológica, a capacitação de pessoas, o fomento à geração de empregos e a promoção do acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital.  

A gestão deste fundo está no âmbito do Ministério das Comunicações. O recurso é formado a partir 0,5% sobre o faturamento líquido das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações e contribuição de 1% sobre a arrecadação bruta de eventos participativos realizados por meio de ligações telefônicas. 

Edição: Liliane Farias

Integrantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o ministro das Comunicações, Fábio Faria, reuniram-se na tarde desta terça-feira (24) com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, para tratar da preparação do leilão da rede móvel 5G.

Sorteado como relator do processo na agência reguladora, o conselheiro Carlos Manuel Baigorri afirmou que o cronograma prevê a sessão de lances no fim do primeiro semestre do ano que vem. “A previsão é ter um edital aprovado na Anatel no começo do ano que vem, sendo que a sessão de lances deve acontecer ao final do primeiro semestre. Esse é o cronograma com que trabalhamos e vamos persegui-lo, apesar dos desafios que se colocam à nossa frente”, afirmou o relator a jornalistas após a reunião.

Além de ser aprovado pela Anatel, o edital deverá ser analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, o edital do 5G não terá objetivo arrecadatório, e será construído para exigir das empresas vencedoras maiores compromissos de investimento no setor. 

"Deverá ser o maior leilão de direito de uso de radiofrequência da história do Brasil. E nós estamos trabalhando com uma abordagem que privilegia compromissos de investimento em detrimento de uma abordagem meramente arrecadatória. O Brasil ainda tem lacunas de infraestrutura de telecomunicações, seja na parte de acesso, seja na parte de transporte. Esse leilão é uma oportunidade singular de nós preenchermos essas lacunas", destacou.

A tecnologia 5G de internet móvel, em sua máxima potência, deverá oferecer altíssimas velocidades de internet no Brasil, até 20 maiores do que a 4G, além de maior confiabilidade e disponibilidade. Essa tecnologia terá também capacidade para conectar massivamente um número significativo de aparelhos ao mesmo tempo. 

Entre as empresas do setor, a chinesa Huawei desponta como uma das principais fornecedoras de equipamentos paras operadores de telecomunicações que devem disputar o leilão. O grupo chinês disputa o mercado internacional com tecnologia dos Estados Unidos (EUA) e da Europa e chegou a ter suas operações restringidas no país norte-americano, no ano passado, após uma ordem do presidente Donald Trump, que alegou ameaça à segurança nacional, por supostos dispositivos de vigilância embutidos nos aparelhos da empresa.

Questionado por jornalistas se o governo brasileiro poderia estabelecer algum tipo de restrição à participação de grupos chineses, como tem sido defendido por uma aliança de países liderada pelos EUA, Fábio Faria disse que o trabalho de sua pasta era na parte técnica. "Aqui não tratamos de geopolítica, o que foi tratado aqui são os técnicos da Anatel, os conselheiros que vieram conhecer o presidente da República", afirmou.

Além do ministro Fábio Faria e dos conselheiros da Anatel, participou da reunião o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, responsável pela área de inteligência do governo federal. Segundo Fábio Faria, por se tratar de um assunto ligado à segurança nacional, é praxe que o ministro da área acompanhe o debate sobre novas tecnologias da comunicação. "Em todos os países, o [equivalente ao] GSI participa, porque se trata também de segurança nacional. Então, o GSI participa e participará. Tem um papel fundamental", respondeu o ministro ao ser perguntado por um repórter.

Edição: Nádia Franco

É jogo de gigantes! Inter e Boca Juniors entram em campo nesta quarta-feira (25/11) para começar a decidir um lugar na próxima fase da Copa Libertadores da América. O pontapé inicial está marcado para as 21h30, no Beira-Rio, no jogo de ida das oitavas de final da competição continental.

Para sair com a vantagem na primeira partida, o Colorado encerrou a preparação na tarde desta terça-feira (24/11), no CT Parque Gigante. Ainda sob o comando dos auxiliares Leomir de Souza e Osmar Loss, o grupo fez os últimos ajustes para o confronto.

Além dos machucados Abel Hernández, Guerrero, Boschilia e Renzo Saravia, a comissão técnica não poderá contar com os suspensos Cuesta e Rodinei. Além deles, os goleiros Keiller, Daniel e Danilo Fernandes estão com covid-19 e afastados das atividades.

Depois de eliminar dois adversários nas fases preliminares da Libertadores, o Colorado se classificou em segundo no seu grupo e agora tem pela frente o time argentino. O jogo de volta está marcado para a próxima semana, na Bombonera.

A Rádio Colorada e as redes sociais do Clube acompanham todos os detalhes da partida em tempo real.

Imagens

Créditos: Ricardo Duarte

O meio-campista Andrés D'Alessandro anunciou, no início da tarde desta segunda-feira (23), que não vai renovar o contrato com o Internacional depois do atual acordo com previsão de término em 31 de dezembro. Até hoje (23), o argentino naturalizado brasileiro já vestiu a camisa do Colorado em 513 jogos. É o terceiro jogador da lista dos que mais defenderam o time gaúcho, atrás apenas do zagueiro Bibiano Pontes, com 524 jogos nas décadas de 1960 e 1970, e do atacante Valdomiro Vaz Franco, tricampeão brasileiro e decacampeão gaúcho com 803 jogos pelo clube nas décadas de 1960 e 1970.

Mesmo com 39 anos, o atleta garantiu que o anúncio de hoje (23) não não tem relação com uma possível aposentadoria. Ele pretende seguir atuando em outro clube. “Eu amo futebol. Não imagino a minha vida sem futebol. Darei a minha vida nesses últimos 38 dias aqui. Nada vai mudar. O que o professor Abel precisar, estarei disposto a ajudar o grupo. O Inter vai seguir gigante como é. Eu seguirei minha vida como atleta. Encerro a minha história e não um ciclo. A minha decisão é pessoal”.

O presidente do Inter, Marcelo Medeiros, que também encerra o mandato em 31 de dezembro, ressaltou a importância do atleta na história do clube. “A gente sabe a paixão que ele tem pelo nosso clube. A gente respeita e aceita a decisão. O que nos cabe é simplesmente agradecer por esses 12 anos de Inter. Os números dele falam por si”.

D´Alessandro estreou no Inter em 13 de agosto de 2008, em um clássico Gre-Nal. A partida acabou em 1 a 1 e marcou a estreia do Inter na Copa Sul-Americana, que seria conquistada pelo Colorado naquela temporada. O atleta contribuiu ainda para que time gaúcho faturasse outros títulos, entre eles a Copa Suruga Bank de 2009, a  Libertadores da América de 2010, a Recopa Sul-Americana de 2011, seis campeonatos estaduais,  e as Recopas Gaúchas de 2016 e 2017. Neste período, D'Alessandro marcou 95 gols pelo clube.

D'Alessandro anuncia que não renovará com Inter, ao lado do presidente do clube Marcelo Medeiros
Presidente do Inter, Marcelo Medeiros, agradeceu pelos 12 anos de atuação do meia argentino no clube gaúcho - Ricardo Duarte/Internacional/Direitos Reservados

O Inter é o quarto colocado do Campeonato Brasileiro, após a derrota por 2 a 1 para o Fluminense dentro do Beira-Rio, em Porto Alegre. O time gaúcho soma 36 pontos em 22 jogos e há cinco rodadas não vence uma partida na competição. Na próxima quarta-feira (25), às 21h30, o Colorado recebe o Boca Juniors no Beira Rio, no jogo de ida pelas oitavas de final da Copa Libertadores.

“Partida com Boca é importantíssima. É uma das melhores equipes da Libertadores. É uma competição diferente. Se joga de outra maneira, vamos encarar como uma final e fazer uma boa partida para ter vantagem no jogo de volta”, garantiu o ídolo colorado.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

 

A vacina contra covid-19 que será produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a farmacêutica Astrazeneca e a Universidade de Oxford deve chegar a 30 milhões de brasileiros a mais em 2021, aumentando o total de pessoas alcançadas no país até o fim do ano que vem para cerca de 130 milhões. O ganho de 30% deve ocorrer porque dados dos testes clínicos divulgados hoje (23) mostram que o protocolo de vacinação mais eficaz inclui uma dose reduzida na primeira aplicação, em vez de uma dose completa.

A Astrazeneca e a Universidade de Oxford anunciaram que o esquema de vacinação que prevê uma dose reduzida e uma dose completa, com um mês de intervalo, obteve eficácia de 90%. Já o protocolo com duas doses completas e o mesmo intervalo atingiu eficácia de 62%. Os dados analisados envolveram 11 mil voluntários, cerca de 2,7 mil com o protocolo mais eficaz e quase 8,9 mil com o protocolo de duas doses completas.

Não houve registro de eventos graves relacionados à segurança da vacina e nenhum dos voluntários que recebeu a vacina desenvolveu casos graves da covid-19 ou precisou ser hospitalizado.

O vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fundação Oswaldo Cruz, Marco Krieger, classificou a divulgação como uma boa notícia, já que confirmou a eficácia de 90% e trouxe um ganho adicional, uma vez que as 210 milhões de doses que a Fiocruz prevê fabricar no ano que vem poderão chegar a mais pessoas, caso os dados sejam confirmados na conclusão e publicação do estudo.

Em vez de termos vacina para 100 milhões de brasileiros, poderíamos vacinar 130 milhões. O que é um ganho adicional. Foi uma boa notícia, disse Krieger, em entrevista à Agência Brasil.

Produção e registro

A partir de acordo com o governo federal, os desenvolvedores da vacina já iniciaram o processo de transferência de tecnologia para que a Fiocruz produza o imunizante no país. No primeiro semestre, a fundação prevê disponibilizar 100 milhões de doses a partir de ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado, e, no segundo semestre, cerca de 110 milhões de doses serão fabricadas já com IFA produzido na Fiocruz. Krieger explica que a previsão está mantida, e o que deve ocorrer é o fracionamento de doses.

Todo esse processo depende da confirmação e publicação dos resultados dos testes em humanos, e do registro do imunizante na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além de produzir a vacina, a Fiocruz também está encarregada de protocolar esse pedido de registro, que tem sido feito de forma parcelada desde outubro, em um processo chamado de submissão contínua.

A Anvisa já recebeu em outubro e novembro informações como os resultados dos estudos pré-clínicos e dados sobre manufatura e controle nas plantas industriais. No mês que vem, a Fiocruz deve encaminhar os resultados dos testes clínicos, o que inclui o protocolo recomendado a para vacinação.  

"Durante o peticionamento para as autoridades sanitárias, no nosso caso a Anvisa, será colocado que a eficácia de 90% foi utilizada com esse protocolo [com dose reduzida]. E esse protocolo que será o registrado. É muito importante que a gente utilize a vacina de acordo com os resultados no estudo clínico, porque ele garante duas informações: primeiro essa eficácia, que é muito alta; e, segundo, a segurança", disse Krieger, que mais uma vez pondera que isso depende da confirmação dos resultados.

A Fiocruz deve protocolar o último bloco de documentos em janeiro do ano que vem, quando também deve começar a produzir a vacina, antes mesmo da aprovação final Anvisa. O imunizante será produzido no Complexo Industrial de Bio-Manguinhos, que fica junto à sede da fundação, na zona norte do Rio de Janeiro. O objetivo de antecipar a produção é ter ao menos 30 milhões de doses até o fim de fevereiro, quando deve ficar pronto o parecer final da Anvisa com o registro da vacina, caso todos os testes confirmem a segurança e a eficácia da vacina. Se esse cronograma se confirmar, Bio-Manguinhos deve entregar em março as primeiras 30 milhões doses ao Ministério da Saúde, para que sejam disponibilizadas à população.

Como funciona a vacina?

A vacina desenvolvida pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford utiliza a tecnologia de vetor viral, em que uma sequência genética do novo coronavírus é inserido em outro vírus, incapaz de se replicar, para, então, ser injetada no corpo humano e gerar a resposta imunológica. 

O vetor usado é um adenovírus (vírus de resfriado) de chimpanzé, que transporta a sequência da proteína S do novo coronavírus. Essa é a proteína que forma a coroa de espinhos que dá o nome ao microorganismo, e esses espinhos são fundamentais no processo de invasão das células humanas. Os testes clínicos buscam comprovar que, uma vez vacinado, o corpo humano reconhecerá essa proteína e poderá produzir defesas que neutralizem sua ação, dificultando que uma pessoa adoeça ao ter contato com o novo coronavírus.

Até o momento, a mutabilidade do vírus não é considerada uma ameaça à eficácia da vacina, já que as mutações que têm sido observadas pela ciência não apresentam mudanças estruturais na proteína S, o que indica que vacinas que a adotem como alvo podem ser eficazes mesmo diante de mutações do novo coronavírus.

Edição: Liliane Farias

Página 1 de 461
Topo