Gisnei

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Na avaliação da T&F Consultoria Agroeconômica, sim, o atual preço da soja “é uma grande bolha, que pode estourar a qualquer momento”: “O que está acontecendo no mercado de grãos no Brasil (e só no Brasil, na Argentina, não; nos EUA também não) é um grande sonho, provocado por uma bolha, chamada coronavírus. Ela ainda está inflando, mas chegará em um ponto em que não terá mais como expandir e estourará”. 

De acordo com os analistas da T&F, o coronavírus caiu do céu para os agricultores: “Abalou as economias mundiais, fez todo mundo se refugiar no dólar, cuja cotação subiu astronomicamente para níveis inimagináveis, no Brasil. Como o preço da soja é composto em pelo menos 35% pela moeda americana, os seus preços embarcaram no foguete e também subiram a níveis que ninguém esperava”. 

Os especialistas ressaltam que, se é verdade que os preços de alguns insumos também são cotados em dólar, também é verdade que muitos deles são baseados nos preços do petróleo que, por sua vez, caíram aos menores níveis dos últimos 10 anos. “Então, o que pode ter subido em dólar, caiu no preço-base, a favor, também do agricultor brasileiro”, destaca a T&F. 

Diante disto, o que há para fazer? “Os lucros já ultrapassam 36%. Então, [é hora de] aproveitar, apenas isto. E não apostar, como num cassino. O mercado de soja não é um cassino. É imprevisível e excitante, como um cassino, mas não é um cassino. Num cassino você conta exclusivamente coma sorte. Nos mercados de commodities há regras, caminhos e procedimentos que, se conhecidos e seguidos, podem levar a bom termo, com alguma segurança”, dizem os analistas. 

“Não existe segurança plena para quem escala o Everest. Assim, também, é o mercado de soja. Todos os dias há sinais. Saber lê-los e interpretá-los é o segredo. Já recomendamos aqui, várias vezes, que fossem aproveitadas as boas chances que o mercado oferecia. Quem seguiu nossos conselhos fez uma excelente média até o momento e deve fechar o ano com bom lucro”, concluem.

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems

Imagem: Nadia Borges

Fonte: www.agrolink.com.br

Em meio à pandemia que assola o Brasil e o mundo, gestos de solidariedade entre gremistas tem sido a tônica de diferentes consulados pelo Rio Grande do Sul e  fora do Estado em dias de confinamento.  O objetivo é ajudar quem precisa e ao mesmo tempo alertar as pessoas sobre os cuidados necessários ao combate do Covid-19. A mobilização tem sido coordenada por meio do Departamento Consular do Clube. 

Representações consulares de cidades como Gravataí, Sapucaia do Sul, Rio de Grande, Santiago, Selbach, Três Coroas, Capivari do Sul, Agudo, São Leopoldo e Carazinho fazem ações de arrecadação de alimentos, materiais de limpeza e valores para ajudar moradores e hospitais dos respectivos municípios. Em Rio Grande, o Consulado do Tricolor e a torcida Borrachos do Trovão arrecadaram o valor de R$ 4.320,00 em apenas cinco dias, além de diversos alimentos. Com isso, doaram ao Projeto Esperança Viva 60kg de  frango  e 120 cestas para a comunidade.

A onda de solidariedade também resultou em doações à Fundação Hospitalar Dr. Oswaldo Diesel, através do Consulado de Três Coroas, única instituição de saúde da região. Na ação, foram arrecadados e doados 230 litros de água sanitária, dezenas de sabonetes líquidos, desinfetantes, álcool em gel, detergentes, papel higiênico, entre outros itens. Iniciativa semelhante aconteceu entre os gremistas de Selbach que arrecadaram R$ 4.400,00, que foram entregues ao Hospital São Jacob.

Já em Carazinho, reuniões organizadas pelo consulado local, com personalidades de diferentes setores, viabilizou a doação de 30 colchões e a reforma de um dos quartos da instituição de saúde da cidade, o Hospital da Caridade, entregues em março, no início da pandemia no Brasil.

As ações também rompem as fronteiras entre os estados e se espalham pelo Paraná, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Bahia. Em Quedas do Iguaçu (PR), por exemplo, gremistas em parceria com a Secretaria de Saúde do município, participaram de um bloqueio sanitário. A ação, realizada no último dia 28, alertou as pessoas que passavam pela cidade sobre os cuidados com a higiene e os sintomas apresentados pelas pessoas contaminadas pelo novo coronavírus.

Na cidade de Lauro de Freitas (BA), na última semana,  integrantes do Consulado do Grêmio distribuíram frascos de álcool em gel para trabalhadores da cidade que precisam estar nas ruas, como garis. 


Confira abaixo os detalhes de cada uma das iniciativas em andamento e as formas de contribuir:


GRAVATAÍ
O Consulado do Grêmio em Gravataí está promovendo uma "Corrente de Solidariedade" no município, arrecadando alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza.
As doações estão concentradas no Comitê de Solidariedade de Gravataí e ajudarão muitas famílias que estão necessitando no momento. Até agora, mais de 20 cestas básicas e cerca de 200 litros de material de limpeza já foram entregues ao Banco de Alimentos.

SAPUCAIA DO SUL
O Consulado Feminino do Grêmio de Sapucaia do Sul está arrecadando alimentos não perecíveis e produtos de higiene para famílias necessitadas, profissionais autônomos e pessoas carentes que estão com o seu sustento prejudicado neste momento.
Para quem quer contribuir, mas não tem como deslocar-se até um ponto de coleta, entre em contato com o Consulado Feminino de Sapucaia do Sul.
 
SANTIAGO-RS
O Consulado de Santiago lançou ação para arrecadar cestas básicas e destiná-las a quem estiver necessitando. O custo de uma cesta básica é de R$ 60,00 e o consulado está reunindo os valores e retirando a doação. Qualquer valor pode ser doado e para participar é só entrar em contato o Consulado de Santiago ou fazer o depósito do valor diretamente na conta (Banrisul - Agência 0360 CC:3507693705 CPF: 939933900 91 - Eder Trapp)

BRASÍLIA
O Consulado do Grêmio em Brasília, está engajado na luta contra a COVID-19 e no auxílio para lares de idosos do Distrito Federal. O intuito da campanha é arrecadar valores para aquisição de alimentos e itens de higiene pessoal para idosos que fazem parte do grupo de risco da COVID-19. Todos podem contribuir acessando o link: https://www.vakinha.com.br/…/consulado-do-gremio-em-brasili…

RIO DE JANEIRO
O Consulado do Grêmio do Rio de Janeiro é mais um dos grupos engajados na ajuda a quem necessita. Pensando nisso, lançou a campanha "GRÊMIO RIO CONTRA A COVID-19", uma Vakinha online que está arrecadando recursos para a aquisição de alimentos e materiais de higiene. Também está contatando diversos restaurantes que façam quentinhas, para além das pessoas em situação de rua, ajudar e valorizar os pequenos empreendedores neste momento delicado que estamos passando.
Acesse e contribua: https://www.vakinha.com.br/vaq…/gremio-rio-contra-o-covid-19

CAPIVARI DO SUL
O Consulado Gremista “Los Capinchos de Capivari do Sul”, em parceria com um grupo de voluntários da cidade, formaram a campanha "Capivari Solidário" que está arrecadando cestas básicas, água mineral, produtos de higiene e tudo que é necessário para famílias carentes do município. Todas as doações estão sendo retiradas pelo CRAS municipal, evitando ao máximo o contato e aglomerações.

AGUDO
Nos últimos dias, entidades de Agudo uniram-se em uma campanha para arrecadação de recursos para o Hospital Agudo. Os valores arrecadados serão investidos pela instituição na compra de luvas, álcool em gel, máscaras e demais materiais usados no enfrentamento à pandemia. O Consulado Gremista de Agudo também contribuiu para essa ação, com a doação de R$ 1.000,00 ao Hospital Agudo.
A campanha é encabeçada pelo Rotary Club, e conta com a parceria do Lions Club e da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACISA).

SÃO LEOPOLDO
O Consulado Feminino do Grêmio de São Leopoldo está realizando arrecadação de alimentos até o dia 10/04, com o objetivo de ajudar famílias da cidade que estão passando por dificuldades nesse momento de crise.

Fonte: https://gremio.net/

Atribui-se a Benjamin Disraeli (1804-1881), escritor e ex-primeiro-ministro britânico, a frase “a vida é muito curta para ser pequena”. A sentença cai como um lema para a jornalista Ana Michelle Soares, ou AnaMi, como se identifica. Paciente de câncer de mama desde 2011, ela recebeu quatro anos depois de fazer tratamento o diagnóstico de que a doença tinha voltado e atingira outros órgãos. Não há cura para o câncer metástico.

Em vez ser espectadora da doença, AnaMi preferiu manter-se protagonista da sua sina. Criou perfis nas redes sociais para falar sobre o seu estado de saúde, da importância do tratamento paliativo, do diagnóstico precoce e do direito dos pacientes a serem cuidados com todos recursos que a medicina oferece a quem possa viver com uma doença crônica. Com a iniciativa, informou, sensibilizou e mobilizou pacientes, familiares cuidadores e até profissionais da saúde.

Em torno de sua história, e de conversas sobre a finitude da vida que manteve com a amiga Renata Lujan, que com a mesma faixa etária teve a mesma doença, AnaMi escreveu o livro “Enquanto eu respirar” (editora Sextante). 

“Imagina como é bom poder viver sem o peso do que nos mantém numa existência mediana, vazia, sem significado. Cura pra mim é isso. Vai muito além da ausência de doença. Compreender que a finitude pode estar na próxima esquina é um convite para vivermos a vida que queremos viver. Com presença e intensidade. Entre o sopro inicial e último suspiro há muito a ser feito”, recomenda a jornalista no material de apresentação do livro.

Não há cura para o câncer metástico, mas AnaMi venceu a doença. “Eu nunca me vi perdendo para doença nenhuma”, disse ao repórter. Ela também escreveu um manual sobre tratamento paliativo e faz trabalho voluntário para atendimento a pessoas com doenças graves e ainda incuráveis. A seguir, os principais trechos da entrevista que ela concedeu à Agência Brasil por teleconferência por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Câncer, este 8 de abril.

Jornalista autora de livro sobre ser paciente com câncer metás
“Não estamos lutando para a medicina evoluir? Nossa cabeça tem que evoluir junto”, recomenda Ana Michelle Soares, ou AnaMi, SAMUEL K./Direitos Reservados

Leia a entrevista a seguir:

Agência Brasil - Que importância tem a passagem do Dia Mundial de Combate ao Câncer?
AnaMi - Ao longo do ano tem várias datas que servem de lembrete, e para que a gente fale disso: de câncer. É uma doença que ainda tem muito tabu envolvido. Algumas pessoas nem conseguem falar o nome. Mesmo estando em 2020, é comum ouvir, até de familiares, algo do tipo ‘aquela doença’ ou ‘você está com aquele problema’. Nessas datas é uma oportunidade de falar das pessoas que estão vivas. Nos enredos de filmes e novelas, quando querem matar alguém de forma lenta e cheio de dramas e sofrimentos, o personagem padece de câncer. Aí raspam a cabeça e seguem todos os dilemas... Mas nem sempre é assim, depende do diagnóstico. Além disso, temos uma medicina que está batalhando e há avanços. Já está na hora de falarmos em câncer como uma doença crônica. Para muitos tipos de diagnóstico como é o caso do câncer metastático, como é o meu, a gente vive muito tempo. Eu estou há nove anos em tratamento e conheço pessoas que estão há 11 anos. Precisa tirar essa cara tão tensa. Apesar de ser uma doença grave, há tratamentos para o câncer. Nessas efemérides relacionadas a câncer, temos a possibilidade de falar sobre aquilo que não é tão dramático. Não é só uma doença que mata e ponto. É uma doença grave, mas tem tratamento. Precisamos falar sobre diagnóstico precoce e do medo que as pessoas têm em descobrir essa doença. Com o diagnóstico precoce são maiores as chances de ser curado. Sempre pedimos à imprensa que relate o real. O real é: tem muita gente vivendo com a doença.

 Agência Brasil - Dar visibilidade ao câncer alterou a maneira como a sociedade encara a doença?
AnaMi - As biografias de pacientes ainda são vistas com um certo desconforto. As pessoas acham que é uma história que a autora escreveu que é a vitoriosa e que venceu o câncer. Eu não sou a vitoriosa. Eu não tenho o perfil que as pessoas gostam de falar, aquele no qual terminado o tratamento a paciente vira a guerreira sobrenatural do câncer. Eu faço tratamento paliativo. Eu tenho uma doença chamada câncer metastático. Nesse estágio não tem cura para a maior parte dos diagnósticos de doença primários. A minha doença primária foi câncer de mama. Eu tenho metástase nos ossos, no fígado, em órgãos abdominais, e em alguns pedaços do meu corpo. Eu vou tratar até o fim da minha vida. Não tem cura, a menos que a medicina descubra um tratamento que possa resolver o meu caso. Mesmo assim, uma editora do porte comercial da Sextante, topou falar sobre isso. Vejo uma evolução grande. O livro tem saído bem, quem está comprando não é só paciente e médico. Há pessoas lendo o livro porque acham que tem alguma coisa para aprender. Então, acho que começa a haver mudanças.

Agência Brasil - A publicação do seu livro e a manutenção dos seus perfis nas redes sociais tiveram o propósito de dar visibilidade e mudar o estigma?
AnaMi - Sim. Quando eu fui diagnosticada com a metástase, em 2015, eu percebi que tinha muita rede social de paciente primário, com apoio de ONGs, que são pacientes com possibilidades de cura. Quando falam de câncer, falam sempre valorizando a história da vitória. É como se só tivesse dois universos. Ou você vence a doença ou você perde. São postadas coisas como ‘fulano perdeu para o câncer...’ Mas ninguém fala que alguém perdeu para tal doença do coração ou para o diabetes. Transformam a biografia e a história de alguém em um desfecho de fracasso. Eu nunca me vi perdendo para doença nenhuma. Eu faço tanta coisa legal, apesar da doença. Não existem só dois universos, ou vence ou perde. A gente desvaloriza a história das pessoas que estiveram ali lutando contra doença. Mas elas escreveram suas histórias. Eu criei um perfil por causa disso. Eu não sou a vitoriosa que venceu o câncer, mas também não morri. Eu, então, comecei a falar abertamente sobre isso: uma doença incurável que tem tratamento paliativo. As pessoas tentam se convencer que daqui a pouco vão ficar boas. Isso gera um peso muito grande para o paciente. Para quem tem metástase, não tem o daqui a pouco vai parar de fazer a quimioterapia. Quando parar de fazer, é porque não tem mais tratamento disponível. Para a gente não é menos uma quimioterapia, é mais uma. Significa que a gente está vivendo com a doença. Há um estigma também relacionado com a palavra paliativo. Para pessoas como eu significa o que há de mais avançado na medicina e a possibilidade de você olhar para a pessoa sem pensar apenas na doença que ela tem. Por isso eu comecei a me expor. Para mostrar o que acontece. Existe uma biografia antes de uma doença.

Agência Brasil - Há outros preconceitos que precisam ser abandonados?
AnaMi - Para uma mulher que tem câncer há muitos estereótipos. Eu sou a menina da foto que está na orelha do meu livro. Eu tenho cabelo cumprido, estou sempre arrumada e maquiada. Eu não tenho cara de paciente. Para a nossa sociedade, a gente precisa ter uma cara para ser digno da solidariedade de alguém! Quem olha para mim não diz que eu tenho câncer, logo não legitima meu sofrimento. ‘O seu câncer é menor. Olha só você: está bonita, está ótima.’ Eu administro bem isso, mas as pacientes em geral acham que têm que entrar nesse estereótipo de aparecer com a cara de quem está sofrendo e fazendo quimioterapia. Não estamos lutando para a medicina evoluir? Nossa cabeça tem que evoluir junto.

Agência Brasil - Você tem conhecimento se o seu ativismo mudou a maneira de como as pessoas percebem a doença?
AnaMi - Sim. Provavelmente, eu sou a primeira paciente que se expõe de maneira tão pública a metástase por ter o tratamento paliativo. Se câncer é um tabu, cuidados paliativos são um tabu maior ainda. Eu vejo que algumas pacientes chegam para os médicos e dizem assim: ‘eu sei que sou paliativa.’ Eles ficam travados. O médico foi educado na faculdade para cuidar e curar pessoas, para vencer a morte. Então, não consegue olhar para esse paciente e entender que existe uma finitude. É comum aquela história: ‘não tem mais nada para fazer, você foi desenganada.’ Para mim, isso é que é fracassar na doença, não é o paciente morrer. Morrer é da vida. Quando um médico diz ‘não há nada para fazer’ é uma coisa horrível. Pode não ter nada para fazer pela doença, mas tem muito a fazer pela pessoa. A gente precisa de uma medicina que olhe para o paciente e não para o tamanho do nódulo dele. Sou ativista dos cuidados paliativos porque nunca admiti ser tratada como uma doença e nem me tratarem como uma paciente de câncer metastático. Sempre quis ser tratada de maneira individual e ser considerada nas minhas escolhas. Essas dizem muito sobre a forma como eu quero ser cuidada até o fim da minha vida. A diferença das redes sociais para mim é isso: as pacientes estão tento acesso a uma informação que não tinham, e estão se impondo mais nas consultas. Lógico, ouvindo o que o profissional está ali vai dizer, mas sem o sentimento que do outro lado da mesa tem um Deus e ele vai ditar tudo da sua vida. Vejo que há um movimento grande em torno dos cuidados paliativos e que os médicos estão se abrindo quanto a isso.

Agência Brasil - Sua visão sobre a saúde pública mudou desde o seu primeiro diagnóstico acusando câncer?
AnaMi - Eu tenho plano de saúde privado, mas acompanho muitas pacientes que são tratadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e vejo que melhorou o acesso à medicação. As pacientes passaram a ter mais acesso à informação, aprenderam a brigar por seus direitos. O SUS dá acesso a alguns medicamentos paliativos. Também aumentou bastante o número de recursos à Justiça para conseguir aquilo que ainda não está disponível, o que pesa para o sistema e onera todo mundo. Mas estamos longe do que precisamos. Conheço uma paciente que ficou quatro meses sem oncologista porque na unidade de saúde onde ela era atendida, o médico se aposentou, mas o hospital não se preparou para fazer a substituição. No SUS, pode ser mais complicado conforme o local que está sendo atendido. Se não está em um centro de referência em oncologia, as pacientes podem ficar abandonadas, sem acesso a medicações ou fazendo tratamentos da forma mais tradicional. Para uma mulher conseguir fazer uma mamografia tem uma espera danada e pode ser por isso diagnosticada muito tarde. Não há como esperar Pra isso, foi criada por isso a Lei dos 60 dias

Agência Brasil - A covid-19 traz riscos para quem possa ter imunidade mais baixa. Você teve que aumentar os seus cuidados?
AnaMi - É bem arriscado para mim. A medicação que tenho hoje é uma quimioterapia oral. Eu tomo todo dia e minha imunidade está constantemente muito baixa. Nesse momento, estou no mais puro isolamento. Eu moro sozinha. Não mudou muito a minha rotina. Não saio de casa de jeito nenhum, só quando é por causa do tratamento na clínica. Mas tomo todos os cuidados para não me expor. A minha mãe é minha cuidadora. Quando estou mal, depois que interno no hospital, quando tenho que fazer algum procedimento de radioterapia ou quando fico debilitada, eu vou para a casa dela. Nesses últimos quinze dias, eu tive uma baixa grande de imunidade. Normalmente, eu iria para a minha mãe. Mas não fui porque ela estava com sintomas da covid-19 e, além disso, ela é do grupo de risco porque está com mais de 65 anos. Mas me viro bem. Meus médicos são muito acessíveis e monitoram temperatura, oxigenação. Estando bem, eu não preciso sair de casa.

Edição: Bruna Saniele

Por Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O Senado aprovou ontem (7) o Projeto de Lei (PL) 1.282/2020, que pretende socorrer as microempresas durante o período de duração da pandemia do novo coronavírus. O projeto autoriza a concessão de crédito para microempreendedores individuais (MEI) e microempresas com risco assumido pelo Tesouro Nacional. O texto vai à Câmara dos Deputados. Se aprovado sem alterações de mérito, seguirá para sanção presidencial.

A aprovação ocorreu por unanimidade, com 78 votos favoráveis. Segundo a relatora do projeto, senadora Kátia Abreu (PP-TO), o projeto é necessário para auxiliar as empresas que mais empregam no país. “As instituições financeiras públicas e privadas possuem os recursos para empréstimos, mas não os concedem porque, temporariamente, os riscos dos tomadores de empréstimos não podem ser adequadamente calculados”.

O projeto sugere a disponibilização de um valor de R$ 10,9 bilhões, com as operações de crédito podendo ser formalizadas até o final de julho. O crédito deve ser destinado às microempresas, que têm faturamento bruto anual de até R$ 360.000, com juros de 3,75% ao ano, prazo de 36 meses para o pagamento e carência de seis meses para início do pagamento. Banco do Brasil, Caixa Econômica, bancos cooperativos e cooperativas de crédito poderão participar do programa.

O texto do substitutivo, assinado por Kátia Abreu, foi costurado em acordo com a equipe econômica do governo. A ideia é garantir o apoio de todas as lideranças do Senado, tanto do governo quanto da oposição, e facilitar a aprovação no Congresso Nacional. A relatora acatou algumas emendas, dentre elas a obrigatoriedade das empresas tomadoras do financiamento em manter seus funcionários até o fim do estado de calamidade pública.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) pediu a palavra para apoiar o projeto e incentivar, ao fim do período de calamidade, uma discussão de apoio permanente às micro e pequenas empresas. “A maioria dos empregos formais são garantidos pelo pequeno e microempresário. E são os que mais empregam mulheres no Brasil. Que este projeto sirva não apenas em caráter transitório. Quem sabe, com outros critérios, poderemos transformar esse projeto em definitivo”.

Edição: Fábio Massalli

Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil - Brasília

O ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário, Roberto de Assis Moreira, devem dormir já nesta terça-feira (7) fora do presídio da Agrupacion Especializada, quartel da Polícia Nacional do Paraguai. A dupla brasileira passou os últimos 32 dias em uma cadeia. Para a transferência ser concretizada, é preciso que a dupla aceite as condições acordadas na audiência.

Ronaldinho e Assis conseguiram hoje a mudança do regime para prisão domiciliar e vão viver em um hotel na capital do país vizinho, com custódia policial permanente, enquanto aguardam uma decisão definitiva sobre o processo que respondem por terem entrado no Paraguai com documentos adulterados no início de março.

O juiz Gustavo Amarilla foi o responsável pela ordem de alteração do regime de prisão dos brasileiros, que já tinham tido três recursos negados no processo. O ex-jogador de times como Barcelona, Grêmio e Atlético MIneiro e o irmão ofereceram uma caução de US$ 1,6 milhão. O valor foi pago como garantia de que os dois não irão fugir. Se isso ocorrer, o valor será resgatado pela Justiça local.

Edição: Bruna Saniele 

Por Juliano Justo - Repórter da TV Brasil e Rádio Nacional - São Paulo

 

O juiz Itagiba Catta Preta, da Justiça Federal em Brasília, autorizou hoje (7) que recursos públicos destinados a partidos políticos sejam aplicados no combate ao novo coronavírus. Cabe recurso contra a decisão. 

A liminar do magistrado foi motivada por uma ação popular protocolada por um advogado do Distrito Federal. Pela decisão, os recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) devem ser bloqueados para serem usados em campanhas para o combate à pandemia ou para “amenizar suas consequências econômicas”. A decisão final caberá ao chefe do Executivo, o presidente Jair Bolsonaro, de acordo com o juiz. 

O valor previsto para o financiamento das campanhas nas eleições de outubro é de R$ 2 bilhões. No caso do Fundo Partidário, o valor pago em fevereiro foi de aproximadamente R$ 70 milhões. 

No ano passado, os partidos receberam cerca de R$ 720 milhões. O repasse do Fundo Partidário está previsto em lei, sendo depositado mensalmente para manutenção das legendas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também deve decidir a questão em breve. Ontem (6), o relator do caso, ministro Luiz Felipe Salomão, decidiu que consulta feita pelo partido Novo para destinar parte de sua parcela do Fundo Partidário para o combate ao covid-19 será levada para exame no tribunal "com a devida urgência”.

Edição: Denise Griesinger

Por André Richter - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O governador Eduardo Leite recebeu, na tarde desta terça-feira (7/4), lideranças de entidades, acompanhadas do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo. O encontro teve o objetivo de debater as medidas de restrição do atual decreto do governo do Estado para o enfrentamento à Covid-19. 

Os diretores da Fecomércio, da Fiergs, da Federasul e do Lide, representando lojistas e o setor do comércio, entregaram um documento ao governador com uma sugestão de protocolo a ser analisado para viabilizar a abertura gradual das atividades no Estado.

Ao considerar o decreto que estabelece o fechamento do comércio até o dia 15 de abril, as entidades apresentaram argumentos para defender a retomada das atividades comerciais. Sugerem, por exemplo, que o comércio seja retomado aos poucos, seguindo regras e cuidados, como evitar a formação de filas, limitar o número de clientes em cada estabelecimento, horários diferenciados e outras condições que sejam consideradas adequadas.

O governador ouviu os argumentos e reiterou que as ações preventivas determinadas até agora têm como base, especialmente, os dados em relação à disseminação do coronavírus e a estrutura disponível na rede hospitalar.

Em ambos os pontos, o cenário até os últimos dias era de muitas incertezas, em função do número reduzido de testes disponíveis, da enorme dificuldade encontrada por vários países para a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e da insegurança em relação ao recebimento de cerca de 200 novos leitos de UTI equipados com respiradores do Ministério da Saúde.

Segundo o governador, esse cenário apresentou leve evolução positiva nesta semana. O Estado começou a distribuir os 49 mil kits de testagem recebidos do Ministério da Saúde, assinou parceria com a UFPel para pesquisa envolvendo 20 mil testes e está firmando contrato com um laboratório e com universidades para ampliar a testagem e ter dados mais concretos sobre a evolução da doença em cada região. Além disso, hoje houve a confirmação da disponibilidade de equipamentos de UTI para locação pelo Estado de empresa conveniada.

“É um conjunto de dados que vai nos dar melhores condições de segurança para administrar a questão da política de distanciamento social, mas qualquer decisão sobre prorrogação ou não das restrições vai ser tomada, principalmente, com base nesses dois itens: monitoramento dos dados de contágio e o fortalecimento da estrutura hospitalar”, explicou o governador.

Outro dado importante é o nível de ocupação dos leitos, informação que exige a participação ativa de todos os hospitais que atuam no atendimento a pacientes da Covid-19, com o preenchimento diário de dados que permitam ao Estado controlar em tempo real a situação em cada município ou região e estabelecer medidas gerais ou específicas.

A partir das próximas análises, feitas diariamente e debatidas com exaustão pelos comitês criados e pelo Gabinete de Crise, o governo do Estado terá novos subsídios para definir quais as medidas poderão seguir em curso ou serem alteradas a partir do fim dos prazos estabelecidos, entre as quais a questão do comércio, que por enquanto vigora até 15 de abril.

Texto: Renan Arais e Suzy Scarton
Edição: Marcelo Flach/Secom

Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

A prefeita Mari Machado apresentou nesta segunda-feira (6), o novo secretário de Planejamento e o novo coordenador municipal da Defesa Civil.

À frente da Secretaria de Planejamento, o engenheiro Rubens Matheus Corrêa dará continuidade aos trabalhos já realizados no Governo Municipal, mas agora, em outro setor. Desde o início do ano, o engenheiro é responsável pela fiscalização da operação de reparos e recuperação asfáltica no município. Formado em Engenharia Civil pela URCAMP, Matheus possui Mestrado na mesma área.

Já o novo coordenador da Defesa Civil é o escriturário, José Fagundes, que já atuava no setor. Tecnólogo em Gestão Pública, o servidor é lotado na Secretaria Municipal de Planejamento.

 Foto: Assessoria de Comunicação Social || Fonte: Assessoria de Comunicação Social
 

 

   

Em meio à pandemia de coronavírus, o dólar se mantém em patamar recorde, operando acima de R$ 5,00 desde 16 de março. Esse cenário, que eleva a atratividade de commodities brasileiras, e a paralisação dos trabalhos em portos da Argentina – concorrente do País nas exportações de soja e derivados – intensificaram o ritmo dos embarques nacionais do grão. 

Assim, atentos ao produto barato e abundante, novos compradores internacionais direcionaram suas aquisições ao Brasil. Como consequência, a soja em grão tem sido negociada acima de R$ 100/saca de 60 kg em Paranaguá (PR) desde o início da semana anterior, recorde nominal da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2006. Entre 27 de março e 3 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa da soja Paranaguá subiu 2,69%, a R$ 101,48/sc de 60 kg na sexta-feira, 3. 

O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná também atingiu, na sexta-feira, 3, recorde nominal da série do Cepea, iniciada em julho de 1997, a R$ 94,45/sc de 60 kg, 3,1% superior ao do dia 27 de março.

Por: CEPEA/ESALQ

Fonte: https://www.agrolink.com.br/

 

Saudoso Estádio dos Eucaliptos, predecessor do Beira-Rio, sede da Copa do Mundo de 1950

Casa do povo colorado, o Beira-Rio completou, na segunda-feira (06/04), 51 anos. Endereço dos mais tradicionais do futebol sul-americano, serve de morada ao Internacional desde que o Clube tinha 60 anos. Palco de conquistas históricas, viu o Colorado se sagrar, entre outros feitos, tricampeão brasileiro e bicampeão da América. Antes de sua inauguração, contudo, o Inter já estava nacionalmente consagrado e devidamente profissionalizado, muito graças a outros templos que lhe serviram de residência. Relembre, agora, a história das primeiras casas alvirrubras!

O berço

Nosso primeiro campo foi o nostálgico Ground da Rua Arlindo, localizado na Ilhota, região marginal, habitada por negros e operários. Zona popular e carnavalesca. Berço de muitos anônimos, e também de Tesourinha e Lupicínio Rodrigues. Atualmente, a região equivale ao terreno que se estende da Praça Garibaldi até a Avenida Ipiranga, passando pelas Avenidas General Lima e Silva e Getúlio Vargas.

A Ilhota, nos arredores da Rua Arlindo

De sua parte, o campo pode ser rememorado no terreno vizinho ao Hospital de Porto Alegre, onde hoje se encontra a Praça Sport Club Internacional. Sobre o relvado, verdade seja dita, os grandes embates ali sediados foram disputados pelos próprios moradores da região. Constantemente alagado, recebeu apenas treinos, mas nunca jogos do Inter. Assim, foram os habitantes locais que, afastados das principais ligas da capital, protagonizaram naquele enlameado gramado campeonatos de altíssimo nível, hoje reduzidos ao pejorativo nome de Liga da Canela Preta.


Visão aérea do 'Ground'

A brevidade da Ilhota em nossa história, contudo, não torna a região parte de um capítulo insignificante na biografia do Inter. Mais do que uma lembrança já centenária, a região segue viva no imaginário de nossa torcida, que jamais esquecerá do endereço que serviu de boêmio e operário berço colorado.

Palco dos primeiros prélios

O Campo da Várzea foi o primeiro a receber nossas partidas. Localizado em frente ao Colégio Militar, no Parque da Redenção, sediou nossa primeira vitória, diante de mais de mil pessoas. Era 10 de outubro de 1909, e nossa torcida já mostrava que era quem melhor entendia de torcer, mesmo que os contemporâneos não gostassem. Ou não entendessem.

Imagem aérea do Campo da Várzea

Na Várzea, uma vez mais ocupamos região popular. Desta vez, a Colônia Africana, formada por ex-escravizados que viam naquela zona bucólica uma chance de constituir comunidade, de começar uma vida que sempre lhes fora privada. A esperança recaia justamente sobre o futebol, um ambiente até então restrito à aristocracia da capital. Em 1912, entretanto, fomos obrigados a deixar este endereço tão entusiasta. Ficava evidente que o Inter precisava ter uma casa - se não comprada, ao menos alugada, mas não mais emprestada.

A Chácara dos Eucaliptos

Foi na Azenha, de frente para a José de Alencar, que levantamos nossa primeira taça, o Campeonato Metropolitano de 1913. Durante os 18 anos que por lá vivemos, também conquistamos, pela primeira vez, o Rio Grande, em 1927. Mais populares do que nunca, ali ainda recebemos nosso primeiro jogador negro, Dirceu Alves.


O campo da Chácara

Afirmado como um clube vencedor, consolidado e prestigiado, o Colorado alugava o terreno de um Asilo local. O passar dos anos, todavia, tornou intensos os desentedimentos entre Inter e proprietários, levando o Clube a alimentar o sonho de possuir uma casa própria. Até que Ildo Meneghetti não se contentou com a simples fantasia.

Da Chácara, nosso eterno patrono levou o Clube, seu povo e algumas mudas de Eucaliptos para a Rua Silveiro. Não sabia na época, mas este grande passo estava também nos elevando de um patamar estadual para o posto de protagonista nacional - e anfitrião mundial.

Fachada da Chácara dos Eucaliptos

O Estádio dos Eucaliptos

A maioridade. Símbolo de uma vida autogovernada, independente, conquistada a partir da casa própria. Utopia de quase todos jovens adultos e adolescentes, compartilhada pelo Inter nos idos anos 20, e que virou realidade, graças à ajuda de nossa torcida, em 1931. Multidão vermelha, que ainda hoje pode ser escutada por ouvidos mais atentos que circulam entre as Ruas Silveiro, Dona Augusta, Barão do Cerro Largo e Barão do Guaíba.

A estrutura que formava o Estádio dos Eucaliptos

Em um primeiro momento, como não poderia deixar de ser, quem pela região caminha afirma ouvir o espocar de foguetes no ar. Provavelmente sejam os fogos estourados pelo Departamento de Cooperação e Propaganda (DCP), projetado por Vicente Rao, no momento da entrada dos times em campo, fazendo a festa no apoio ao Clube do Povo.

Conforme o pedestre avança na direção da zona sul, consegue compartilhar a tensão que antecedia cada um dos milagres de Ivo Winck e Milton Vergara, ou os precisos desarmes de Nena, Alfeu, Oreco e Florindo. Todos estes, é claro, acompanhados dos inconfundíveis e indecifráveis bravejos de Charuto, apoiando o seu Colorado até o último dos apitos, mesmo que ele venha depois do último gole.

Torcida colorada nos Eucaliptos

Na sequência, o ar fica rarefeito, como se milhares prendessem a respiração subitamente, esperando pela assistência genial de Salvador, Odorico, Assis, Ávila e Abigail. Logo depois, a charanga sobe o som, ditando o ritmo da dança que Tesourinha, Russinho e Luizinho impunham aos infelizes adversários antes de, em um toque de mágica, lançarem Bodinho, Carlitos e Larry.

O trio domina no mesmo momento que a rua chega ao fim. Curiosamente, neste instante ela treme. Ruge. Explode. É gol do Inter, de Rolo Compressor e de Rolinho, que conquistam qualquer um de seus quinze estaduais vencidos ao longo dos 38 anos da era Eucaliptos.

Emuldorado por um Eucaliptos lotado, Milton Vergara comemora gol do Inter durante Gre-Nal disputado em 1954

Atravessando para a próxima quadra, o distraído andarilho se pergunta o porquê de um endereço com tanta história e tão alvirrubro ter sido deixado pelo Clube do Povo. A dúvida, contudo, não dura muito tempo. Poucos metros à frente, o Beira-Rio domina a mais bonita das paisagens de Porto Alegre e serve de justificativa. Por maior que fosse, percebe, o Estádio dos Eucaliptos ainda não era um Gigante.

Povo colorado, sempre com o Inter, tomando as arquibancadas dos Eucaliptos

Fonte: https://www.internacional.com.br/

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