Cotações da soja estão estáveis

As cotações da soja em Chicago, nesta primeira semana de julho, trabalharam estáveis, após um início baixista, quando o bushel, para o primeiro mês cotado, atingiu a US$ 8,72 no dia 05/07 (a mais baixa cotação em um mês). Posteriormente o mercado se recuperou um pouco na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado neste dia 11/07 (quinta-feira). Após o anúncio do relatório o primeiro mês cotado em Chicago fechou o dia em US$ 8,96/bushel, contra US$ 8,85 uma semana antes, apesar de o relatório ter reduzido bastante a safra e os estoques finais futuros dos EUA.

O referido relatório indicou os seguintes números:
1)    Área semeada com soja nos EUA, em 2019/20, 32,4 milhões de hectares (-5,4% sobre o indicado em junho);
2)    Produtividade média esperada nos EUA para a atual safra 3.261 quilos/hectare (54,3 sacos/hectare);
3)    Produção esperada para os EUA 104,6 milhões de toneladas, ou seja, 7,3% a menos do que o indicado em junho passado e 15,4% a menos do que a última safra 2018/19;
4)    Preço médio aos produtores estadunidenses, neste novo ano comercial: US$ 8,40/bushel, contra US$ 8,25 em junho e US$ 8,50/bushel neste ano de 2018/19;
5)    Estoque final em 2019/20 em 21,6 milhões de toneladas nos EUA, contra 28,4 milhões em junho e 28,6 milhões no atual ano comercial;
6)    A safra mundial de soja fica estimada agora em 347 milhões de toneladas e os estoques finais em 104,5 milhões (nos dois casos, cerca de 8 milhões de toneladas a menos do que o estimado em junho);
7)    A produção brasileira de soja será de 123 milhões de toneladas, enquanto a da Argentina ficaria em 53 milhões para o ano 2019/20;
8)    Enfim, as importações da China foram mantidas em 87 milhões de toneladas (há institutos estatísticos mundiais indicando 83 milhões para este novo ano).

Dito isso, será o relatório de agosto que definirá melhor o mercado, podendo haver correções para cima no que diz respeito à produção e aos estoques finais estadunidenses, caso o clima permaneça positivo nas próximas semanas nas regiões produtoras dos EUA.

Por enquanto, o clima continua favorável ao desenvolvimento das lavouras nos EUA, porém, a qualidade das mesmas piorou um pouco. De fato, até o dia 07/07, 53% das mesmas estavam em condições entre boas a excelentes, contra 54% uma semana antes. Outras 35% estavam regulares e 12% entre ruins a muito ruins. Ao mesmo tempo, até aquela data, 96% da área de soja estadunidense havia sido semeada.

 

 

Já as exportações líquidas de soja por parte dos EUA, referentes ao ano comercial 2018/19, iniciado em 1º de outubro passado, somaram 867.600 toneladas na semana encerrada em 27/06. A China teria comprado 607.300 toneladas. Somadas as 161.500 toneladas exportadas para o ano 2019/20, o total ficou dentro da expectativa do mercado.

Por outro lado, as inspeções de exportação somaram 757.903 toneladas na semana encerrada em 04/07, ficando abaixo do esperado pelo mercado. No acumulado do ano comercial atual o volume inspecionado chega a 37,8 milhões de toneladas, contra 50,3 milhões um ano antes.

Enquanto isso, a Argentina encerrou sua colheita de soja no final de junho e o volume final teria sido de 56 milhões de toneladas, ou seja, 60% acima da frustrada safra do ano passado.

Pelo lado do litígio comercial entre EUA e China tem-se a notícia de que os dois países irão se reunir em breve, após uma paralisação das negociações e acirramento do protecionismo entre ambos que vem desde o início de maio passado. A este respeito o presidente dos EUA, em recente entrevista, afirmou que "Nós tínhamos um acordo com a China e eles romperam. Parece que agora querem um acordo de novo. Vamos ver o que acontece no futuro". Diante de constantes idas e vindas destas negociações, atualmente o mercado não está repercutindo muito esta situação. O fato é que há poucos negócios com soja, neste momento, entre os dois países.

 

Aqui no Brasil, os preços se mantiveram estáveis, porém, com viés de baixa, especialmente para os lotes, diante de uma revalorização do Real, o qual chegou a R$ 3,75 durante a semana.

Com isso, a média gaúcha no balcão ficou em R$ 70,69/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 74,50 e R$ 75,50/saco. Nas demais praças, os lotes se fixaram entre R$ 71,50 e R$ 73,50 no Paraná; R$ 60,00 a R$ 67,00 no Mato Grosso; R$ 66,00 a R$ 68,00 no Mato Grosso do Sul; R$ 66,50 a R$ 67,00 em Goiás; R$ 78,00 a R$ 79,00 em Santa Catarina; R$ 69,50 em Uruçuí (PI); e R$ 67,50/saco em Pedro Afonso (TO).

A comercialização da atual safra de soja, até o dia 05/07, atingia a 71% do volume colhido, contra 75% na média histórica. Por Estado a mesma assim se apresentava: RS com 51%, contra 59% na média; PR com 69%, contra 67%; MT com 80%, contra 84%; MS com 73%, contra 71%; GO com 75%, contra 83%; SP com 80%, contra 71%; MG com 71%, contra 78%; BA com 83%, contra 81%; SC com 55%, contra 58%; MA com 75%, contra 83%; PI com 70%, contra 70%; TO com 74%, contra 88%; e os demais Estados produtores com 80%, contra 83%. (cf. Safras & Mercado)

Já a comercialização antecipada da futura safra, também até o dia 05/07, apresentava 15% já vendido no país, contra 11% na média histórica, sendo que os quatro principais Estados produtores apontavam o seguinte: Mato Grosso 20%, contra 13%; RS 6%, estando dentro da média; PR 14%, contra 10%; e Goiás 20%, contra 11% na média. (cf. Safras & Mercado)

 

 

No geral, os produtores estão antecipando as vendas, diante de preços interessantes para a próxima safra, dada a realidade cambial nacional que se desenha, na medida em que a Reforma da Previdência venha a ser aprovada, e de cotações em Chicago estáveis entre US$ 8,50 e US$ 9,50/bushel.

Enfim, os prêmios nos portos brasileiros fecharam a presente semana entre US$ 0,75 e US$ 1,08/bushel, confirmando a tendência de estabilização indicada há alguns meses.

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