O que é, afinal? É a Chapecoense!

Mesmo quando a temporada 2017 iniciava e - após todo o triste ocorrido de novembro de 2016 - faziam apostas sobre a Chapecoense, a sua capacidade de se reconstruir e surpreender e até onde o time iria chegar, qualquer um que citasse uma classificação à Libertadores como realidade palpável, seria chamado de louco. Porque iria além do futebol e do que é possível, afinal, conquistar feitos tão grandiosos com um time montado às pressas. Mas para a alegria e tranquilidade de todos, esse time foi construído sobre uma base sólida, amparado pelos que restaram e empurrado, jogo a jogo, por uma torcida cujo o amor é insuperável. E todos esses fatores foram - desde a apresentação, no dia 6 de janeiro, ao jogo deste domingo, 3 de dezembro - fundamentais para que todos os que estavam vindo entendessem quem é a Chapecoense e de tudo o que ela é capaz. E eles foram além: Não só entenderam, como se tornaram a Chapecoense. E a Chapecoense, que é feita de pessoas - das que se foram, das que chegaram, das que passam e das que permanecem - escreveu, neste domingo, mais um capítulo emocionante na história que todas essas pessoas vão contar, saudosas e orgulhosas, aos filhos e netos.

Diante da possibilidade de se classificar à Libertadores, a Chapecoense entrou em campo determinada a conquistar a vitória. Do outro lado, no entanto, estava um Coritiba igualmente determinado, mas, no seu caso, a evitar o rebaixamento. E foi o Coxa quem balançou, pela primeira vez, as redes da Arena Condá. Logo aos 14 minutos da primeira etapa, Kleber chutou de fora da área para abrir o placar. A resposta da equipe alviverde - que criava as oportunidades de maior perigo - foi aos 36, com Elicarlos chegando pela direito e mandando no ângulo da meta do goleiro Wilson, marcando para a Chape e determinando em 1 a 1 o resultado do primeiro tempo.

O empate não favorecia nenhuma das equipes e, por isso, o segundo tempo foi movimentado, com boas chances para ambos os lados. Apesar do perigo, as jogadas permaneciam no “quase” e os ponteiros do relógio seguiam girando. E foi necessário que o árbitro sinalizasse os 5 minutos de acréscimo para que a partida, finalmente, tivesse o vencedor definido. E para a alegria dos mais de 12 mil torcedores presentes na Arena Condá, foi a Chapecoense, através do predestinado Túlio de Melo, que marcou o gol da vitória. Aos 49 da etapa final, o camisa 10 mandou, de cabeça, pra dentro das redes. Chapecoense 2 a 1.

A “Casa dos Eternos Campeões” ficou pequena diante da certeza da eficácia da reconstrução e de tantas demonstrações de superação, resiliência, empatia e família. Exemplos dados por pessoas que, pouco importa o papel, são protagonistas incontestáveis de um ano que se aproxima do fim com enredo digno das maiores honrarias. Se não é só futebol, o que é, afinal? É a Chapecoense. Porque se é possível que este time tenha ido tão longe depois de ter se aproximado de um precoce e dolorido final, não há nada que ele não possa fazer. Louco é quem duvida. Libertadores, voltamos!  

Texto: Alessandra Seidel

Foto: Foto: Sirli Freitas

Rate this item
(0 votes)
Login to post comments
Topo